A prevenção de quedas em idosos é uma das principais preocupações na terceira idade, e com razão. A Organização Mundial da Saúde (OMS) lembra que um em cada três idosos sofre pelo menos uma queda por ano. Estes episódios trazem dor, medo e perda de autonomia, mas a maioria pode ser evitada com atenção, adaptações no lar e exercício regular.

Porque acontecem as quedas?

As quedas ocorrem quando se combinam fatores internos (como perda de força e alterações no equilíbrio) e externos, como piso escorregadio ou fraca iluminação. Medicamentos e obstáculos domésticos também devem ser integrados em qualquer protocolo de prevenção de quedas. 

Segundo a OMS, as quedas representam a segunda causa de morte por traumatismos não intencionais no mundo, afetando sobretudo pessoas com mais de 60 anos.

Força, equilíbrio, visão e marcha

O envelhecimento causa perda de massa muscular (sarcopenia) e alterações na marcha. Um estudo das Diretrizes Mundiais para a Prevenção de Quedas revelou que idosos com 80 ou mais anos e sarcopenia caíram três vezes mais em dois anos. Além disso, o declínio da visão e do tempo de reação faz com que pequenos obstáculos, como um tapete solto ou um degrau, provoquem acidentes graves. 

Medicamentos, tonturas e medo de cair

Fármacos como psicotrópicos, antidepressivos e anti-hipertensores podem provocar tonturas e hipotensão ortostática (queda da pressão ao levantar-se). Além disso, o medo de voltar a cair faz com que o idoso reduza a atividade física, criando um ciclo vicioso de enfraquecimento muscular e maior vulnerabilidade.

Como avaliar o risco de queda?

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) alerta que 20% a 30% das quedas provocam complicações graves nos idosos. Estes acidentes podem originar fraturas da anca, que retiram a autonomia durante meses, ou traumatismos cranianos, que exigem vigilância médica imediata.

Todo o protocolo de prevenção de quedas exige uma avaliação de risco abrangente. Este exame inclui o historial de quedas, a mobilidade, a força, a visão, a revisão da medicação e a segurança da habitação. As recomendações NICE (2025) orientam a avaliação sistemática de adultos a partir dos 65 anos (ou entre os 50 e 64 anos com fatores de risco) para corrigir causas modificáveis e definir intervenções personalizadas.

Protocolo de prevenção de quedas

Um protocolo de prevenção de quedas vai além de perguntar se o idoso já caiu. Permite identificar se a dificuldade está na força das pernas, no equilíbrio ou na necessidade de uma bengala, ou andarilho. 

A iniciativa STEADI do CDC sintetiza a abordagem em três passos: Rastrear, Avaliar e Intervir (Screen, Assess, Intervene). Na fisioterapia, o protocolo inclui observar a marcha e aplicar testes como o Timed Up and Go (TUG) para medir a mobilidade.

Sinais de alerta em idosos frágeis

Fique atento aos sinais de risco:

  • Quedas recentes ou tropeções frequentes.
  • Dificuldade em levantar-se da cadeira.
  • Apoio constante em móveis ou paredes para caminhar.
  • Marcha instável, tonturas ao levantar-se ou desmaios.
  • Medo intenso de cair.

Cuidados universais para prevenção de quedas

A maioria das quedas ocorre em casa. A DGS indica que 28% a 35% das pessoas com mais de 65 anos caem anualmente, percentagem que sobe para 32% a 42% após os 70 anos. Aplicar cuidados universais para prevenção de quedas torna o lar um espaço seguro.

Iluminação, tapetes e obstáculos

  • Melhore a iluminação de corredores, escadas e quartos.
  • Instale luzes de presença noturnas no caminho até à casa de banho.
  • Retire tapetes soltos ou fixe-os com base antiderrapante.
  • Mantenha as zonas de passagem livres de cabos e objetos.
  • Limpe imediatamente qualquer líquido derramado no chão.

Casa de banho, escadas e calçado

  • Instale barras de apoio no polibã ou banheira e corrimão em ambos os lados das escadas.
  • Utilize calçado fechado, bem ajustado ao pé e com sola antiderrapante (evite chinelos abertos). 
  • Mantenha óculos, aparelhos auditivos e auxiliares de marcha (como bengalas) acessíveis e em bom estado.

Exercícios para prevenir quedas

Na prevenção de quedas, a recomendação é clara: idosos devem praticar atividade física regular focada no equilíbrio funcional e no fortalecimento muscular.

Força, equilíbrio e mobilidade

A atividade multicomponente (que combina exercícios de força, equilíbrio, coordenação e mobilidade) deve ser realizada pelo menos três dias por semana. 

As diretrizes NICE (2025) reforçam o valor do treino de força e equilíbrio. Modalidades como o Tai Chi são também amplamente recomendadas pela OMS e pela DGS para melhorar a estabilidade postural e o controlo motor. 

Exercício físico com orientação profissional

O exercício físico na prevenção de quedas em idosos deve ter supervisão de profissionais qualificados, como fisioterapeutas. Um plano personalizado ajusta a intensidade às limitações de cada pessoa, prevenindo lesões e reduzindo o risco de queda em até 40%. 

Prevenção de quedas do paciente em reabilitação

Durante a reabilitação, a força e o equilíbrio do doente oscilam. Por isso, a prevenção de quedas do paciente exige vigilância contínua. 

Segurança em casa, consulta e internamento

Em casa: adapte o ambiente às capacidades motoras atuais do paciente.

Na consulta: informe a equipa de saúde sobre episódios de tonturas ou falhas de força.

No internamento: a Norma n.º 008/2019 da DGS estabelece os procedimentos de segurança hospitalar em Portugal e orienta a preparação para a alta.

O que fazer depois de uma queda

Se uma queda acontecer:

Mantenha a calma: verifique se há dor forte, fraturas ou perda de consciência. Em caso de lesão grave, contacte o serviço de emergência e não levante a pessoa à força.

Técnica dos “quatro apoios”: sem lesões graves, ajude o idoso a virar-se de lado, apoiar joelhos e mãos, aproximar-se de uma cadeira estável e levantar-se devagar.

Avaliação médica: comunique sempre a queda ao médico de família para investigar causas subjacentes (alterações na medicação, visão ou tonturas).

A prevenção de quedas não significa apenas tornar a casa mais segura. Implica avaliar a pessoa integralmente e agir sobre os fatores de risco modificáveis para preservar a sua independência e qualidade de vida. 

Fontes consultadas:

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