A incontinência urinária de urgência é um problema de saúde frequente, especialmente em mulheres idosas, mas também em homens.
Embora muitas pessoas experimentem alguma perda de urina ocasional, a incontinência urinária é grave quando afeta a vida diária. Pode gerar ansiedade ao sair de casa e isolamento social devido ao medo de não conseguir chegar a tempo à casa de banho.
As autoridades de saúde estimam que 1 em cada 5 portugueses, acima dos 40 anos, sofre de perdas de urina. A Associação Portuguesa de Urologia (APU) e o Serviço Nacional de Saúde (SNS) qualificam a incontinência urinária como um problema médico que deve ser tratado.
Não se trata de uma consequência “normal” do envelhecimento. Felizmente, há soluções para ajudar as pessoas com urgência miccional e incontinência urinária a recuperar o seu bem-estar e autonomia.
O que é a incontinência urinária?
A incontinência urinária é a perda involuntária de urina, causada por alterações na bexiga, na uretra, nos músculos do pavimento pélvico ou nos nervos que controlam a micção.
A Sociedade Internacional de Continência (ICS) e a DGS definem-na como qualquer perda de urina repetida que resulte num problema clínico, higiénico e social, comprometendo a rotina diária da pessoa.
Uma bexiga saudável armazena a urina e, quando cheia, envia sinais ao cérebro para iniciar a micção. Os músculos do pavimento pélvico e o esfíncter urinário mantêm a uretra fechada até à decisão voluntária de relaxá-los. Quando qualquer parte deste sistema falha, surgem os escapes involuntários.
Tipos e sintomas da incontinência urinária
Estudar como os sintomas se apresentam ajuda os profissionais de saúde a desenhar um plano de abordagem e tratamento adequado.
Incontinência de esforço: perdas ao tossir, rir ou fazer esforço
É o tipo mais frequente em mulheres. Ocorre quando os músculos do pavimento pélvico estão debilitados e não conseguem suster a bexiga. As perdas aparecem em situações quotidianas como tossir, rir, espirrar, levantar pesos (como sacos de supermercado) ou fazer exercícios de impacto. A APU salienta que pode surgir após gravidezes, partos vaginais ou cirurgias pélvicas.
Urgência miccional e incontinência urinária de urgência
A urgência miccional é uma necessidade repentina e intensa de urinar, difícil de controlar e independente de esforços físicos. É provocada por contrações involuntárias e irregulares do músculo da parede da bexiga (hiperatividade do músculo detrusor). Se a pessoa não conseguir chegar à casa de banho a tempo, ocorre a urgência miccional e incontinência urinária.
Bexiga hiperativa: vontade súbita e frequente de urinar
A bexiga hiperativa é uma síndrome clínica caracterizada pela urgência miccional, mesmo com pouco líquido na bexiga. Inclui o aumento das micções diárias (mais de oito vezes), sono interrompido para urinar (nictúria) e, por vezes, incontinência de urgência. Afeta especialmente as idosas e pessoas com doenças neurológicas.
Causas e fatores de risco
Entre as causas temporárias encontram-se as infeções urinárias ou vaginais, irritações íntimas, obstipação, consumo excessivo de cafeína ou álcool e efeitos secundários de fármacos. Já as causas persistentes incluem dano neurológico (Parkinson, AVC), diabetes, cálculos renais, crescimento da próstata ou debilitamento do pavimento pélvico.
Incontinência urinária feminina na menopausa
Durante a menopausa, a quebra nos níveis de estrogénios reduz a elasticidade dos tecidos pélvicos e a força do esfíncter. A Sociedade Portuguesa de Ginecologia indica que este decréscimo hormonal eleva o risco de perdas por esforço e urgência.
Incontinência urinária feminina idosa
Na velhice, a incontinência urinária feminina idosa agrava-se devido à perda de massa muscular, menor mobilidade e patologias crónicas. Doenças neurológicas (como demências ou AVC) alteram a ligação dos impulsos nervosos entre o cérebro e a bexiga. A DGS adverte que esta condição eleva o risco de depressão, isolamento e quedas noturnas.
Alterações do músculo do pavimento pélvico masculino
Os homens sofrem de incontinência principalmente após cirurgias de próstata, por hiperplasia benigna da próstata ou pelo envelhecimento natural. Nestes casos, as alterações afetam diretamente o músculo do pavimento pélvico masculino. Quando estes músculos de suporte se debilitam, surgem perdas por esforço ou urgência miccional.
Como se faz o diagnóstico?
O diagnóstico baseia-se numa consulta detalhada sobre a história clínica, hábitos diários, ingestão de líquidos e frequência urinária. Recomenda-se o uso de um diário miccional para registar as idas à casa de banho e as fugas.
O processo, conduzido por médicos de medicina geral, urologia ou ginecologia, complementa-se com análises de urina para excluir infeções, ecografia renal e vesical, avaliação do pavimento pélvico e, se necessário, estudo urodinâmico.
Tratamento da incontinência urinaria
As autoridades de saúde recomendam iniciar o tratamento por medidas conservadoras e não invasivas antes de recorrer a fármacos ou cirurgias.
Ginástica do pavimento pélvico e reabilitação pélvica
Os exercícios para o pavimento pélvico (ginástica do pavimento pélvico ou exercícios de Kegel) fortalecem os músculos que sustentam a bexiga, o útero e a próstata mediante contrações voluntárias.
Para realizá-los, o primeiro passo é identificar os músculos corretos, simulando a interrupção do fluxo urinário (ação que serve apenas como teste e não deve ser feita ao urinar). Depois de identificados, contraia os músculos durante três segundos e relaxe por outros três, repetindo 10 vezes, três vezes por dia. Nos homens, recomenda-se fazê‑los com os joelhos dobrados e afastados.
A reabilitação pélvica pode incluir fisioterapia, biofeedback e eletroestimulação, oferecendo respostas eficazes sobre como acabar com a incontinência urinária feminina.
Como tratar uma bexiga hiperativa?
Saber como tratar uma bexiga hiperativa exige ajustes na rotina e na dieta. É fulcral reduzir irritantes vesicais como cafeína, álcool, bebidas gaseificadas e alimentos picantes. Estas mudanças devem ser combinadas com o reentreino vesical (programar as idas à casa de banho em intervalos fixos), controlo da obstipação e fortalecimento muscular.
Remédio para incontinência urinária de urgência: quando é indicado?
Se as alterações de hábitos e a fisioterapia forem insuficientes, o médico pode prescrever um medicamento para a incontinência urinária de urgência. Fármacos como anticolinérgicos e agonistas beta-3 relaxam o músculo detrusor e reduzem as contrações involuntárias da bexiga.
A prescrição deve ser feita por especialistas, sobretudo em idosos. Em cenários complexos, restam opções como toxina botulínica vesical, neuromodulação, pessários vaginais ou cirurgia corretiva.
Fontes consultadas:
- Serviço Nacional de Saúde (SNS): Incontinência Urinária: causas.
- Associação Portuguesa de Urologia (APU): Incontinência urinária.
- Sociedade Portuguesa de Ginecologia: Prevenção das disfunções do pavimento pélvico.
- International Continence Society (ICS): Your Continence Care.