O aneurisma cerebral é uma dilatação anormal na parede de uma artéria do cérebro que lhe confere uma forma semelhante a um “balão”. Segundo a Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia (SPNC), esta condição afeta cerca de 5% da população e pode permanecer silenciosa durante anos. 

O perigo real surge quando esta pequena bolha cresce ou se rompe, tornando-se uma emergência médica. Para cuidadores e famílias, compreender o que é um aneurisma cerebral é o primeiro passo para garantir a longevidade dos nossos idosos.

O que é um aneurisma cerebral?

Quando falamos de um aneurisma cerebral, referimo-nos a uma zona de fraqueza numa artéria intracraniana e que se dilata devido à pressão sanguínea. Estas dilatações surgem habitualmente na base do cérebro, no Polígono de Willis. 

Nos idosos, o risco acentua-se, pois o envelhecimento reduz a elasticidade vascular. O SNS24 esclarece que, embora os pequenos aneurismas raramente causem problemas, a sua rotura pode originar um AVC hemorrágico grave.

As principais causas de aneurisma cerebral combinam fatores genéticos com o estilo de vida, sendo a hipertensão arterial e o tabagismo os principais responsáveis pelo enfraquecimento progressivo das paredes das artérias ao longo dos anos.

Tipos: sacular, fusiforme e dissecante

Nem todos os aneurismas são iguais. A sua forma determina tanto o risco como a estratégia de tratamento:

Sacular: o mais comum (“em baga”). Assemelha-se a uma cereja e representa a maioria dos casos de rotura do aneurisma cerebral.

Fusiforme: causa um alargamento em toda a circunferência da artéria, sem apresentar um “talo”.

Dissecante: resulta de um rasgo na camada interna da artéria, criando uma “falsa bolsa” de sangue.

O aneurisma cerebral dá sintomas?

O grande perigo desta condição é que, geralmente, estamos perante um aneurisma cerebral sem sintomas. Muitas pessoas vivem décadas sem saber que o têm, sendo descoberto apenas em exames de rotina ou por outras queixas de saúde. 

No entanto, quando os sintomas aparecem, dividem-se em dois cenários:

Aneurisma não roto: quando e quais os sinais

Um aneurisma que cresce o suficiente pode começar a “empurrar” nervos ou tecidos cerebrais vizinhos. Nestes casos, os sintomas de aneurisma cerebral não roto podem incluir:

  • Dor persistente por cima ou por trás de um dos olhos.
  • Uma pupila dilatada que não reage à luz.
  • Visão dupla ou alterações súbitas na visão.
  • Dormência num lado do rosto.
  • Em casos mais raros, convulsões.
  • Alguns doentes referem dores de cabeça atípicas.

Sinais de rotura: a pior dor de cabeça da vida

Quando um aneurisma se rompe, provoca uma dor de cabeça súbita e excruciante que atinge o pico de intensidade em segundos, como um “trovão”. A Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia aponta este como o sinal inequívoco de hemorragia subaracnoideia

Para além da cefaleia intensa, surgem outros sintomas: 

  • Náuseas e vómitos.
  • Rigidez na nuca (dificuldade em encostar o queixo ao peito).
  • Confusão mental ou perda de consciência.
  • Alterações visuais (visão dupla ou desfocada).
  • Sensibilidade extrema à luz.
  • Convulsões.
  • Diminuição da força num dos lados do corpo.

Em alguns casos, o aneurisma pode apresentar uma fuga antes da rotura completa, provocando uma dor de cabeça súbita e intensa que pode durar vários dias ou até duas semanas.

Quando ir às urgências de imediato

A rotura de um aneurisma cerebral é uma emergência médica. Ligue imediatamente para o 112 perante uma dor de cabeça explosiva ou perda de consciência, convulsões, rigidez na nuca ou fraqueza súbita.

Dados clínicos indicam que a mortalidade imediata atinge os 20 a 30% dos casos. Se não for tratado, o risco de novo sangramento nas primeiras 24 horas é de 4%, subindo para 60% num mês. 

Diagnóstico: como se descobre um aneurisma

A deteção precoce permite planear o tratamento do aneurisma cerebral com segurança. Os hospitais de referência utilizam:

  • TAC Cerebral: deteta sangue no cérebro em urgências.
  • Angio-TC/Ressonância: cruciais para decidir entre vigilância ou cirurgia de aneurisma cerebral.
  • Angiografia: o “padrão de ouro” para mapear a lesão com precisão milimétrica.

Em casos de dúvida, pode ser necessária uma punção lombar. 

Tratamento do aneurisma cerebral

A decisão terapêutica é multidisciplinar e individualizada.

Vigilância: quando não operar

Para aneurismas pequenos (geralmente inferiores a 5-7 mm) e estáveis, opta-se pelo controlo da tensão arterial e cessação tabágica, monitorizando o crescimento com exames periódicos.

Clipagem cirúrgica vs. embolização endovascular

Quando existe indicação para intervenção, os médicos optam por um dos dois caminhos principais para fechar a dilatação:

  • Clipagem: cirurgia tradicional onde um clipe metálico isola o aneurisma.
  • Embolização: método minimamente invasivo que utiliza cateteres para preencher o aneurisma com molas de platina (coils) ou stents para desviar o fluxo sanguíneo, selando-o por dentro.

Recuperação e reabilitação após rotura

A fase inicial exige cerca de duas semanas de internamento para prevenir complicações como o vasoespasmo ou a hidrocefalia. A SPNC estima que dois terços dos doentes sobrevivem à rotura, mas a reabilitação (fisioterapia e terapia da fala) é indispensável para os idosos recuperarem a autonomia. 

Em casa, a recuperação pode levar até seis semanas, período durante o qual a pessoa deve realizar apenas atividades físicas limitadas para evitar esforços sobre a zona tratada. 

Prognóstico e prevenção

O prognóstico é significativamente melhor quando o tratamento ocorre antes da rotura. Para prevenir:

  1. Controle a tensão arterial: manter valores estáveis com dieta e medicação evita o enfraquecimento das artérias. É o fator de risco modificável mais importante.
  2. Cessação tabágica: parar de fumar é a medida mais eficaz para proteger o revestimento dos vasos sanguíneos.
  3. Hábitos saudáveis: evitar o álcool e drogas ilícitas, aliados ao exercício físico, reforça a integridade vascular.
  4. Rastreio: se tem dois familiares diretos com a patologia, consulte um médico para exames preventivos.

Cuidar da saúde vascular hoje é a única forma de evitar uma emergência futura por aneurisma cerebral.

Fontes consultadas: