Alzheimer é um termo que utilizamos com leveza em piadas sobre a idade, mas sabe onde termina a brincadeira e começa o risco? 

Perder as chaves de casa é um esquecimento comum; esquecer para que servem as chaves é um dos primeiros sinais de Alzheimer que não pode ignorar. 

Esta doença transforma profundamente a vida de quem recebe o diagnóstico e da sua família. Se quer compreender o que é a doença de Alzheimer e como apoiar quem ama, este artigo é para si.

O que é a doença de Alzheimer?

O Alzheimer é a causa mais frequente de demência. Conforme a Alzheimer’s Association, é uma patologia responsável por cerca de 60% a 80% dos casos de declínio cognitivo mundiais.

Trata-se de uma doença neurodegenerativa, progressiva e irreversível que se agrava com o passar dos anos. Não é uma condição normal do envelhecimento e o seu grande problema é que compromete a memória e a autonomia da pessoa idosa. 

Segundo a Associação Alzheimer Portugal, a doença afeta mais de 200 mil pessoas no país e a situação tende a agravar-se devido ao envelhecimento populacional.

Causas e fatores de risco

As causas do Alzheimer ainda continuam sob estudo. No entanto, aponta-se a combinação de elementos neuroquímicos, genéticos, estilo de vida e ambiente como os responsáveis.

Um elemento de forte suspeita é a acumulação anómala de duas proteínas no cérebro: beta‑amiloide e tau. Estas proteínas formam placas e emaranhados no interior das células nervosas, impedindo a comunicação entre os neurónios e levando à sua morte progressiva. 

É como se o cérebro das pessoas com Alzheimer se fosse apagando muito lentamente e por partes, a passos microscópicos.

Fatores de risco que não podemos controlar

  • Idade: o principal fator de risco conhecido. A probabilidade de desenvolver a doença duplica a cada cinco anos após os 65 anos, adverte a Alzheimer’s Society.
  • Genética: certos genes, como o APOE-ε4, aumentam a suscetibilidade, embora não garantam o desenvolvimento da doença. Estima-se que, em cada 1000 pessoas com Alzheimer, menos de 10 o tenham devido a um gene familiar.
  • Sexo: as mulheres apresentam uma incidência ligeiramente superior, o que pode estar relacionado com a maior longevidade feminina ou alterações hormonais pós-menopausa.

Fatores de risco que podemos reduzir

A ciência moderna foca-se cada vez mais na prevenção. O que é bom para o coração é, invariavelmente, bom para o cérebro.

  • Saúde cardiovascular: hipertensão, colesterol elevado e obesidade aumentam o risco.
  • Diabetes: a resistência à insulina liga-se ao declínio cognitivo.
  • Sedentarismo: a falta de atividade física reduz a oxigenação cerebral.
  • Isolamento social: pode aumentar em cerca de 50% ou 60% o risco de demência, devido à falta de estimulação cognitiva e emocional.

O Alzheimer é hereditário?

Geralmente, a doença não é diretamente hereditária. Apenas cerca de 1% a 5% dos doentes apresentam uma causa genética autossómica dominante (Alzheimer fase Inicial ou familiar de início precoce). 

Ter um familiar direto com a doença aumenta ligeiramente o risco estatístico, mas está longe de ser uma sentença definitiva.

Primeiros sinais e sintomas

Identificar os primeiros sinais de Alzheimer é crucial para um acompanhamento digno. A doença manifesta-se subtilmente, muitas vezes confundida com o envelhecimento “normal”.

Sintomas cognitivos: memória, linguagem e raciocínio

Os sintomas de Alzheimer vão muito além da “falta de memória”. Incluem:

Anomia: dificuldade persistente em encontrar palavras comuns durante uma conversa.

Desorientação: perder-se em caminhos familiares ou confundir datas e estações do ano.

Dificuldade em tarefas complexas: como gerir o orçamento doméstico ou seguir uma receita culinária.

Nas fases do Alzheimer, a perda de memória foca-se na memória de curto prazo (acontecimentos recentes), enquanto as memórias antigas permanecem intactas por mais tempo.

Sintomas comportamentais e psicológicos

Alterações de humor e personalidade são comuns. A pessoa pode tornar-se apática, ansiosa, desconfiada ou apresentar irritabilidade sem motivo aparente.

Em alguns casos, podem surgir dificuldades motoras na articulação das palavras (disartria), embora isto seja mais frequente em fases avançadas, ou quando existe uma demência mista (associado a problemas vasculares).

As três fases da doença

A progressão do Alzheimer é geralmente dividida em três fases: ligeira, moderada e grave.

Fase ligeira: os primeiros sinais

Nesta fase, surgem esquecimentos frequentes, pequenas dificuldades de organização e mudanças subtis de comportamento. A autonomia ainda é preservada.

Fase moderada: quando a dependência aumenta

No Alzheimer fase moderada, a pessoa pode precisar de ajuda para tarefas diárias como higiene, vestir‑se ou preparar refeições. 

A desorientação aumenta e podem surgir episódios de agitação ou confusão ao final do dia (o chamado “sundowning” ou síndrome do pôr do sol).

Fase grave: cuidados na fase avançada

A comunicação verbal perde‑se quase totalmente. A pessoa torna‑se totalmente dependente e pode apresentar dificuldades de deglutição, mobilidade e controlo dos esfíncteres.

Como se faz o diagnóstico?

O diagnóstico é um processo de exclusão que envolve:

  • Historial clínico: entrevistas detalhadas com a pessoa idosa e familiares.
  • Testes cognitivos: avaliação da memória, linguagem e funções executivas (Teste do Relógio, MMSE).
  • Exames de imagem: RM ou TC para observar a atrofia cerebral.
  • Análises laboratoriais: para excluir causas reversíveis como deficiências vitamínicas ou problemas de tiroide.

Segundo o National Institute on Aging, diagnosticar cedo permite iniciar terapias que preservam a autonomia por mais tempo e planear cuidados futuros. 

O Alzheimer tem cura?

Até agora, não existe cura. Contudo, alguns medicamentos ajudam a abrandar o declínio cognitivo e a controlar sintomas como a ansiedade ou alterações do sono, oferecendo maior estabilidade à pessoa com Alzheimer. 

Prognóstico: o que esperar ao longo do tempo?

Em média, a sobrevivência após o diagnóstico situa-se entre os 8 e 10 anos, mas existem pessoas que ultrapassaram os 20 anos com a doença.

Se tem um familiar com Alzheimer, o segredo não é focar-se no que se perde. O foco deve estar em adaptar o cuidado para manter a conexão emocional, o conforto e a dignidade da pessoa idosa. 

Fontes consultadas: